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O Rock é uma vertente musical surgida do termo Rock and Roll. Originou-se nos Estados Unidos na segunda metade do século XX, alcançando seu auge nos anos 70 e 80.

O gênero é fruto de uma combinação de diversos tipos de música, principalmente a música negra. Hoje em dia ganhou o mundo e mobiliza grande número de pessoas que apreciam a vertente, tendo até uma data em sua homenagem, o Dia Mundial do Rock, em 13 de julho.

O surgimento do rock aconteceu nos EUA como consequência da mistura de outros estilos musicais, com enfoque no jazz, folk, country e rhythm and blues.

As primeiras experimentações ocorreram ainda na década de 40, sobretudo em seus últimos anos, mas foi nos anos 50 que a vertente ganhou contornos mais nítidos.

Os nomes que se destacaram nessa primeira fase foram: Jackie Brenston, Jerry Lee Lewis, Johnny Cash, Jimmy Preston, Little Richard, Bill Haley, Chuck Berry (esse considerado por muitos como o “pai do rock”) e outros.

Apesar de quase sempre esquecidas, é importante pontuar a atuação das mulheres nesse contexto. Nomes como Sister Rosetta Tharpe, Memphis Minnie, Aretha Franklin e demais mulheres tiveram enorme importância para a história do rock.

Foi Rosetta Tharpe a verdadeira percussora do rock. Ela e seu violão elétrico.

Nos anos 50 surge uma figura que viria a ser considerada mais tarde como “rei do rock”, era Elvis Presley. O rapaz branco vindo da cidade de Memphis, no Tennessee, cantava no coro da igreja quando criança e recebeu influência do blues, vertente musical de origem negra.

É importante salientar que, por conta de sua pele branca, Elvis teve maior espaço na mídia da época e foi melhor aceito pela sociedade conservadora americana.

Ainda na década de 50, com as inovações tecnológicas, a guitarra elétrica foi criada, dando um carácter eletrizante para os concertos de rock e vindo a ser um instrumento essencial para o gênero.

Nos anos 60 aparecem novos nomes na cena e o rock ganha ainda mais o coração do público.

Têm destaque nesse momento: The Doors, Credence, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Pink Floyd, Deep Purple, Rush e Black Sabath e seu polêmico vocalista Ozzy Osbourne, além das bandas The Beatles e Rolling Stones, que fizeram um sucesso estrondoso, ganhando fãs no mundo todo.

No último ano dessa década acontece o Festival Woodstock entre 15 e 18 de agosto na cidade de Bethel, em Nova Iorque. Esse festival foi marcante na trajetória do rock’n’roll, apresentando músicos importantes da época.

Os anos 70 foram marcados pelo aparecimento de bandas como Queen, Led Zeppelin, Kiss, Black Sabbath, Ramones, The Clash, Sex Pistols, David Bowie, The Runaways (banda exclusivamente feminina).

Nessa fase, os shows eram monumentais, com grande público enchendo enormes locais.

Nos anos 80 o comportamento e estética visual que imperavam eram bastante excêntricos, trazendo muito brilho, penteados e roupas exageradas.

No meio musical não foi diferente, as bandas apresentavam essa ousadia e as que têm destaque são: Bon Jovi, Van Halen, New Order, The Cure, Pretenders, Roxette, Joy Division e muitas outras. Além das originárias do movimento Punk como Sex Pistols, The Clash, Ramones e Death kennedys

Já na década de 90, o estilo de rock que despontou foi o grunge, um rock alternativo vindo de Seattle.

A banda de maior sucesso na época foi Nirvana, mas tiveram outros nomes importantes como Pearl Jam, R.E.M, Alice in Chains, Soundgarden, Red Hot Chili Peppers, The Offspring, Green Day.

Nos anos 2000 o rock perdeu um pouco de força por conta da crescente onda pop. Ainda assim, tiveram espaço bandas como Evanescence, The Strokes, Interpol, Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, e outras.

No Brasil foi o Betinho o percussor do Rock

Não foi Raul Seixas, o maluco beleza; nem Roberto Carlos, como líder da Jovem Guarda; nem foram Os Mutantes, a bordo da Tropicália; nem a galera do BRock, que deu voz rock brasileiro.

Aproveitando a onda roqueira dos anos 50, um músico carioca chamado Alberto Borges de Barros, o popular líder do Betinho e Seu Conjunto, trouxe dos EUA uma guitarra Fender Stratocaster.

Com um novo instrumento em mãos, em 1957, Betinho e Seu Conjunto gravaram a música Enrolando O Rock, o primeiro rock cantado em português do Brasil.

O auge do rock no Brasil teve como marco o Festival MPB Shell 1981, quando a Gang 90 & As Absurdetes roubaram a cena com a música Perdidos na Selva. Um ano depois, as bandas Blitz e Barão Vermelho lançaram aqueles que são considerados os primeiros discos de rock gravados por bandas surgidas naquela geração. A partir desses três lançamentos, pontua-se o surgimento do movimento BRock – ou rock brasileiro, como muita gente gosta de classificar.

Ainda na primeira parte da década, a cena revelou nomes como Legião Urbana, Titãs, João Penca & Seus Miquinhos Amestrados, Os Paralamas do Sucesso, Kid Abelha & os Abóboras Selvagens, Magazine, Lulu Santos, Capital Inicial, Camisa de Vênus, Radio Taxi, entre outros. Também as bandas alternativas, como Língua de Trapo, Violeta de Outono, Cólera e Ratos de Porão.

 No RS o rock surge no IAPI

Até a década de 1950 o Rio Grande do Sul contava com um circuito de bailes e reuniões dançantes formados por clubes sociais e desportivos, grêmios estudantis, centros acadêmicos, salões paroquiais, entre outros.

Com o surgimento do rock and roll no final dos anos 1950 nos EUA e, especialmente, dos Beatles e da invasão Britânica ao longo dos anos 1960, a cena musical de Porto Alegre, e no RS em geral, sofreu um grande impacto.

A exemplo do que estava acontecendo nacionalmente, começaram a surgir no estado inúmeros, como eram denominados, conjuntos musicais jovens, tal como a Banda Apache, grupo instrumental formado em 1962 que é considerada a primeira banda de formação roqueira do Rio Grande do Sul.

Mais para o final da década de 1960, com o surgimento da psicodelia e do tropicalismo, algumas bandas locais também seguiram esta trilha. Entre estas se destacou o Liverpool, que depois nos anos 1970 se converteria no Bixo da Seda. A gurizada do IAPI.

IAPI era um bairro operário localizado na zona norte de Porto Alegre. Onde também morava a cantora Elis Regina.

Fughetti a lenda do rock gaúcho em sua casa em Tapes

O grupo, que viajou pelo Brasil com o seu trabalho autoral tinha entre eles a lenda do rock no RS. Fughetti Luz e a banda Bixo da Seda influenciou as gerações de bandas gaúchas. Fughetti casou com a professora tapense Janete Petry e já alguns anos mora em Tapes.

Artistas como Alemão Ronaldo,  Fughetti Luz (ambos do Bixo da Seda), Joe Euthanásia e Júlio Reny fazem a transição do rock dos anos 70 para os 80, criando bandas como Taranatiriça, Bandaliera, Guerrilheiro Anti-nuclear, Expresso do Oriente, entre outras.

Foi nesse período que a então rádio Bandeirantes FM, que tocava bastante MPB alternativa, MPG e um pouco de rock, foi convertida na Ipanema FM, que passou a ter uma programação mais voltada para o rock, abrindo espaço para os artistas locais mostrarem o seu trabalho e, por sua vez, servindo de inspiração para a nova geração.

Em 1980 começou a funcionar um dos principais espaços do rock alternativo em Porto Alegre, o Bar Ocidente, e foi também um canal para a introdução de novas tendências internacionais. Ele atraiu a maior parte do público intelectual e universitário, da boemia e de grupos contestadores que eram marginalizados e haviam perdido seus pontos de encontro favoritos com a decadência da Equina Maldita.

Bar Ocidente marcou toda uma geração e foi o point dos roqueiros nos anos 80 em Porto Alegre

Com o advento da Ipanema FM como a rádio rock de Porto Alegre, o gênero encontrou espaço para crescer e foram formadas novas bandas, como Taranatiriça, Garotos da Rua, Os Replicantes e Astaroth. Essas bandas fariam parte da coletânea Rock Garagem de 1984, produzida pela rádio e que serviu de cartão entrada para a nova geração, e encontraram espaço para apresentarem trabalhos autorais em bares e danceterias que foram surgindo na capital gaúcha voltados especificamente ao público jovem, como Taj Mahal, Bar Ocidente, Porto de Elis, Opinião, Rocket 88, dentre outros.

Em Tapes do Palcão ao Bar da Torre se respirou rock nos anos 80 e 90

Nas margens da Lagoa dos Patos a cena do rock iniciou também nos anos 60 e 70 e atinge seu auge nos 80 e 90.

Impossível falar em rock tapense sem lembrar do ícone Bili Joe. Performático no palco lembrava os velhos bluesman.  Bili respirava rock. Exalava a rebeldia rocker. Vestia-se e vivia rock.

No Clube Aliança Bili Joe, seu lenço vermelho e a inseparável jaqueta de brim cumprimentando Marcio Murillo

E tinha como seu parceiro de várias “indiadas” e de palco o Miguel Buchaim. Também pioneiro o professor Miguel também conhecido pelos amigos como Miguelão influenciou toda uma geração de roqueiros de Tapes.

Os dois eram por um tempo a cara do rock tapense. Com toda a irreverência e rebeldia necessária. Se alguém acha que Renato Russo, Cazuza ou Tim Maia eram temperamentais e eram , pois protagonizaram vários pits ao vivo, é porque não assistiu nenhuma das inúmeras apresentações do Bili e do Miguelão em Tapes. Muitas acabaram quase na porrada entre a dupla. Mas ninguém ficava brabo não. Fazia parte da performance da dupla e levava o público roqueiro ao delírio. Eram muito talentosos e as brigas se tornaram parte do folclore cultural de Tapes.

Antes deles houveram percussores, como Wili Hardt baterista que tocava nos famosos conjuntos onde além das músicas populares tocavam nos bailes do Clube, musicas dos Beatles e outros grupos do recém surgido rock and roll. Estavam na onda do ie ie e tinham cabelos cumpridos.

Mas foi nos finais dos anos 80 e inicio dos 90 que surgem as bandas mais lembradas. Urubanda formada por Rui Salgado, Marco Aurélio e Amarildo Mazucco e a Retrato Falado composta pelo Chico Hardt, Gilmar Freitas e Sandro Buchaim. Na época o pessoal se reunia e organizam os famosos “showzinhos”.

No palcão show das bandas Urubanda e Retrato Falado 

A Retrato Falado se reunia na garagem da casa da mãe do Chico. Fato muito comum e peculiar do rock gaúcho que chegou a ser reconhecido como Rock Garagem. Nestes ensaios na garagem do Chico surgiram outros jovens da época que adquiriram gosto pela música e formaram outras bandas nos anos seguintes.

Chico e amigos no Bar da Torre

Mas foi quando Chico Hardt decidiu colocar um bar que o rock tapense ganhou impulso. O Bar da Torre não foi somente o Tempo do rock tapense. Era referência na região e também no estado. Muitos jovens vinham de Porto Alegre para assistir shows em Tapes no Bar da Torre.

Além das bandas locais, também se apresentavam bandas de outras cidades da região e da capital. Além de músicos que vinham para Tapes e davam uma “palinha”. Entre estes os irmãos Luciano Lula Machado e seus irmãos Márcio Massa.

Outras bandas houveram e também até hoje temos uma galera que curte rock em Tapes. Outros palcos também existiram e marcaram a cena local como Clube Aliança e Palcão. E outros roqueiros fizeram história em Tapes.

Porém quando se fala de rock em Tapes tem que ser lembrado o ícone Bili Joe e é indiscutível que o Bar da Torre era a catedral do rock em Tapes. Ali transpirava rock e blues por toda uma década.

Fotos e vídeos – Márcio Murillo, Heleno Rocha,  Chico Hardt e arquivos história do rock. 

 

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