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Há anos historiadores, pesquisadores e curiosos debatem a origem do nome de Tapes. O professor de história Miguel Sanchis é um desses pesquisadores e a ele recorrermos. Mas o espaço fica aberto para quem defende outra hipótese para a origem do nome da cidade. Vamos ao texto publicado originalmente no jornal A Folha :

” Desde que adotei Tapes para viver, tenho coletado versões e pesquisando sobre a origem do nome Tapes. Até hoje não encontrei nada definitivo, apenas versões e hipóteses. Há um elo perdido entre a origem do nome e o nosso Município. Talvez você já tenha ouvido falar: – É Tapes devido aos índios que aqui viviam; – É devido a Serra do Tapes; – É conseqüência de um dos barcos da charqueada do Coronel Patrício; etc…

 Vamos aprofundar algumas hipóteses:

Dizer que o nome Tapes, tem origem na serra do mesmo nome é em primeira análise, um erro. A Serra de Tapes, localiza-se a mais de 200Km daqui, nos municípios de Piratini e Canguçu, no sul do estado. Desta forma, não há nenhuma vinculação direta entre a Serra e o nosso Município. Nem sequer com o município mãe, Dores de Camaquã. 

Uma outra hipótese, considera os índios Tapes como primitivos habitantes da nossa região. Daí o nome do Município. Esta também, em uma primeira análise, carece de sentido. Os índios Tapes não eram desta região, sequer da Serra do Tapes, mas sim do Planalto Gaúcho, ao centro-norte do estado, igualmente distante. Os índios que habitavam nossa região eram, segundo os pesquisadores, os Aranches (chamados de Patos) e não os Tapes.

A versão de que um barco utilizado na charqueada do Cel. Patrício Vieira Rodrigues, o ‘Tapes’ teria dado o nome ao porto é bem mais razoável. Há dificuldades na hipótese.

Em primeiro lugar, não há comprovação de que este barco realmente existiu, Ruy Quadros Machado relatava um boato popular, há alguns anos atrás, sobre a existência de uma corrente, presa junto a margem da Sanga das Charqueadas, perto do suposto estabelecimento do Cel. Patrício, junto a atual Vila dos Pescadores.

O povo dizia haver mergulhada na ponta daquela corrente os objetos de valor do Coronel, devido ao avanço das tropas Farroupilhas. Outros acreditavam tratar-se do barco Tapes. Populares, acreditando na versão da caixa, teriam forçado a corrente, arrebentando. Ali morria a história. O nosso poeta Paulo Martins, em versos, também se referiu a existência do barco ‘Tapes’.

Mesmo considerando que tal embarcação tenha existido, vamos esbarrar em outro problema: o barco teria dado o nome ao local, ou o local a barco? Ou não haveria nenhuma vinculação?

A partir daí vamos analisar outra hipótese que, pessoalmente, parece-me mais provável. Começaremos revisando um pouco da história gaúcha.

Os primeiros habitantes do RGS foram os padres Jesuítas, vindos da Argentina e Paraguai. Estes cruzaram o Rio Uruguai, fugindo da perseguição dos Bandeirantes, a procura de índios ‘amansados’ no interior da América do Sul, com intuito de escraviza-los. Em fuga chegaram ao norte do estado, fundando as Reduções Jesuíticas de Tape (1626). Por quê Tape? Na linguagem dos indígenas, Tapes era caminho, trilha. Caminho para onde? Para o mar, para a Europa, onde afinal os Jesuítas tinham suas pátrias, credos e possibilidades de manter comércio.

Era zona de Tape, o atual RGS. Com o estabelecimento dos Jesuítas nas reduções Gaúchas, Tape passou a ser dali ao mar. Os índios do local eram índios do caminho (Tapejaras, Tapes). Do Rio Jacuí ao Rio Grande qualquer lugar era bom caminho.

Com o surgimento da colonização Portuguesa (por volta de 1720) o termo Tape deve ter sido assimilado pelo Português (ganhando o plural) e designado ‘lugar de caminhos’.

O início da exploração do gado, abandonado pelos Jesuítas no retorno ao Paraguai (1640), fez com que surgissem ‘caminhos’ para os Portugueses escoarem o couro e, posteriormente a carne para o mercado externo. O gado da região da campanha para chegar ao mar, deveria cruzar o caminha da serra, ou a Serra do Tapes.

Com o tempo, devido ao forte avanço da colonização, a região do ‘Tapes’ perdeu força e área, devido a polarização causada pelo porto de Pelotas e Porto Alegre, passando a denominar a estreita faixa entre a Lagoa dos Patos e a Serra do Sudeste.

Podemos especular isso nas expressões usadas, principalmente por pessoas da serra, nascidas no início do século e ainda vivas, referindo-se a região e não a cidade, usando termos como: ‘lá para a banda dos Tapes’.

Outro forte indício disso é o apelido do General Zeca Neto, um dos líderes da Revolução Federalista de 1923 (Chimangos x Maragatos): o ‘Condor do Tapes’ ora, sabe-se que a sua área de atuação era basicamente de Pelotas a Guaíba e apesar da atuação da nossa comunidade na Revolução, ele era Camaquense.

O apelido mostra que ‘Tapes’ não era só o nome dado a nossa cidade mas a toda região citada. Desta forma, voltando na história, o barco Tapes talvez tivesse este nome devido a sua área de atuação, os ‘Tapes’ sua região de trabalho.

Por algum motivo, atualmente perdido na história, foi adotado o nome da região para definir o ‘Porto de Dores’ (que certamente foi a primeira denominação usada para Tapes). talvez por ser um dos melhores portos / caminho da ‘Lagos dos Patos’. Talvez porque esta região, antes do desenvolvimento trazido pelo arroz, tenha sido apenas um caminho, um porto, um ‘Tapes’.

Não descarto totalmente a hipótese de que o barco ‘Tapes’, se de fato existiu, tenha dado o nome ao município. Nem mesmo a de que o barco tenha sido batizado com o nome do porto, o que também não pode ser provado, e se fosse, descartaria a teoria do nome da cidade ter surgido da embarcação. Parece-me mais provável que a história tenha ocorrido paralelamente, um não tendo relação direta com o outro. O barco ‘Tapes’ teria seu nome, talvez, por atuar ‘nos Tapes’.

Nossa localidade teria sido a redução geográfica da área ‘dos Tapes’ acabando por definir o nome do Município, em um momento que foi perdido pela história. Nossa cidade seria, então, a morada final deste termo que acompanhou os primórdios da história do Rio Grande do Sul.

Miguel Angel Z. Sanchis : professor, historiador e pesquisador 

Fotos ilustrativas e prefeitura Tapes

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Sobre o Autor

1 comentário

  1. Parabéns, pela reportagem muito bom. Nós precisamos resgatar nossa História, nossa Cultura e o nossos Valores. Sou Tapense com Orgulho e precisamos fazer uso do potencial de nossa cidade. Com respeito e responsabilidade junto aos bens naturais podemos buscar o crescimento e pró de nosso povo e sem afetar a diversidade de nossa cidade.

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