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A Associação da Festa de Oxum de Tapes cancelou a realização da tradicional Procissão Luminosa que iria ocorrer nesta quinta-feira 23 de abril em homenagem ao Orixá Ogum.

O coordenador da AFOT , Alexandre Wandam, publicou na página da entidade nas redes sociais , um comunicado expondo os motivos do cancelamento.

Segundo Wandam, devido a pandemia do Coronavírus, a coordenação da Associação decidiu por suspender a tradicional Procissão Luminosa em homenagem ao pai Ogum.

 – Nós coordenadores da AFOT decidimos cancelar a realização da a tradicional procissão luminosa em homenagem ao pai Ogum. Preocupados com nossos mais velhos e para preservar a saúde de todos, decidimos que será melhor uma outra data mais propícia. Mas pedimos que todos os irmãos e irmãs que dedique um tempo para pedir ao nosso grande pai Ogum proteção saúde e equilíbrio para passarmos por esse período de calamidade.

Alexandre Wandam também pediu compreensão de todos sobre a gravidade da situação causada pela Pandemia do Coronavírus e que os Orixás protejam a cidade.

 – Desde já nós coordenadores agradecemos a compreensão e que nossos orixás nos abençoe com muito axé e nossa grande mãe Oxum proteja a nossa cidade e a todos os irmãos e irmãs de fé.

O presidente do Conselho Municipal do Povo de Terreiro de Tapes, João Amaral, afirmou que a decisão da AFOT de cancelar a procissão Luminosa, foi correta e responsável.

Amaral salientou que os Terreiros e estabelecimentos religiosos de matriz africana suspenderam suas atividades na cidade de Tapes para conter a proliferação do Covid-19, o novo coronavírus. As ações seguem a determinação do governos.

De acordo com o presidente do Conselho do Povo de Terreiro, a suspensão temporária dos rituais tem como objetivo garantir a segurança de adeptos e da população, “sinalizando a responsabilidade no combate à disseminação do vírus”.

  – Acreditamos que os Orixás entenderão os motivos de cancelamento de festas, sessões, etc…, este momento é muito grave e o pior ainda está por vir. Não podemos neste momento sermos irresponsáveis com nossos templos e com a população em geral. Também, não podemos perder e fé, temos que e ir na casa de religião acender nossas velas, arriar nossas oferendas aos Orixás seguindo as orientações sanitárias e sem aglomerações.

 João Amaral disse ainda que na hora certa, quando todo mundo vai poder voltar a ter contato social, a comunidade Afro – umbandistas de Tapes, vai poder celebrar todas estas festas adiadas.

– Enquanto isso, todos os dias a gente está em casa se fortalecendo diante desse processo. Para quem é de Orixá, essa coisa de ficar sozinho é de extrema importância. As pessoas podem contemplar a possibilidade de pensar na vida.

No dia 23 de abril celebra-se o Dia de São Jorge e também o dia do Orixá Ogum.

Considerado senhor do ferro, da guerra, da agricultura e da tecnologia, Ogum era o filho mais velho de Odudua. Este último era o rei fundador da cidade de Ifé, e Ogum assume o título de rei regente da cidade quando seu pai perde momentaneamente a visão

Ogun (Ògún) é o temível guerreiro, deus do ferro, da metalurgia e da tecnologia; protetor do ferreiros, agricultores, caçadores, carpinteiros, escultores, sapateiros, talhantes, metalúrgicos, marceneiros, maquinistas, mecânicos, motoristas e de todos os profissionais que de alguma forma lidam com o ferro ou metais afins.

Orixá conquistador, Ogun fez-se respeitar em toda a África negra pelo seu carácter devastador. Foram muitos os reinos que se curvaram diante do poder militar de Ogun.

Entre os muitos Estados conquistados por Ogun estava a cidade de Iré, da qual se tornou senhor após libertar a cidade da tirania do rei e substituí-lo pelo seu, próprio filho, regressando glorioso com o título de Oníìré, ou seja, Rei de Iré.

Sincretismo religioso entre guerreiros: São Jorge e Ogum

O culto a São Jorge tem raízes históricas no Brasil. Sempre foi um santo com muitos devotos, primeiramente pelas raízes da colonização portuguesa e também pela influência de religiões de matriz africana.

São Jorge é o santo padroeiro de Portugal, juntamente com Nossa Senhora da Conceição. Por isso, o culto a esse santo já era forte desde a introdução do catolicismo no Brasil Colônia.

A devoção a ele se fortaleceu quando os escravos vindos da África, por terem sido proibidos de adorar os seus orixás, realizaram o sincretismo religioso de orixás a santos da Igreja Católica. Como São Jorge é o Santo Guerreiro, ele foi naturalmente associado a Ogum, o orixá da Guerra. Aos escravos, acender uma vela a São Jorge era o mesmo que acender uma vela a Ogum.

Guerreiros e justiceiros, o Santo e o Orixá compartilham temperamentos e forças semelhantes. São Jorge é o protetor dos soldados, dos militares, dos ferreiros e daqueles que lutam por justiça. É o homem forte do Exército de Deus, que com seu cavalo enfrentou um dragão e enfrentaria as bestas do inferno para defender o Reino dos Céus.

Ogum é o orixá da Guerra, quem vai à frente dos demais Orixás em uma batalha, o destemido e desbravador. Nas lendas, Ogum foi quem ensinou os homens a trabalhar o ferro e o fogo – dividindo o trabalho do ferro com São Jorge. É um orixá representado com uma espada (mais uma semelhança), que a utilizava para socorrer rapidamente quem o invoca.

Ambos são solicitados para quebrar demandas e para abrir caminhos, afastando inimigos e injustiças de seus fiéis.

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