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*Por Pedro Rublescki

Poderíamos defender que voltar às aulas sem vacina, ou tratamento eficaz da COVID-19, será um desastre somente com exemplos de experiências das tentativas em reaberturas de escolas em IsraelAlemanhaÁfrica do SulChinaFrançano Brasil, São Luís e Manaus.

Essas tentativas de retorno são um apanhado rápido de locais que se preparam, investiram dinheiro e protocolos para voltar às aulas e tiveram que voltar atrás e suspender novamente o ensino devido aos focos de contaminação que esses espaços estavam criando.

Porém, parece que, mesmo com esses exemplos, governantes insistem que seria o momento de iniciar uma retomada das aulas. Qualquer governante poderia aprender com esses exemplos, mas como ainda existem alguns que insistem em reabertura, vamos falar sobre o que todos gostam, Futebol.

No Brasil, o futebol é considerado a paixão nacional e mesmo com muitos protestos foram investidos quantidades de dinheiro muitas vezes obscenas para voltar com segurança os campeonatos.

Enquanto em muitos locais faltam testes, os times da Série A de futebol fazem testes antes de todas as partidas, contam com protocolos rígidos para evitar contaminação, quartos individuais em concentrações, menor número de pessoas envolvidas em cada partida, distanciamento social, jogos sem torcida, afastamento da imprensa, máscaras, álcool gel e todos os cuidados que se deve ter.

Aqui não estamos falando somente dos cuidados básicos de uso de máscara e lavar as mãos. No futebol, foram investidos milhões de reais para que os clubes pudessem voltar a treinar e participar do Brasileirão. 

Os protocolos são muito rígidos e, mesmo assim, após duas rodadas da volta da série A, tivemos dezenas de atletas infectados e jogos suspensos por falta de elenco após testagens.

Se na elite do futebol brasileiro, onde se investe em fretamento de aeronaves para um jogo, com valores que ultrapassam o que escolas têm para investir em anos, não deu certo a volta, como defender que nas escolas dará?

Em uma partida de futebol que conta com no máximo 46 atletas adultos (contando os reservas), deu problema, como imaginar que em uma escola com 500 crianças por turno dará certo?

Estamos, desde o início de junho, estagnados com mais de 1.000 mortes diárias por COVI-19. Não existe nenhum número de mortes ou contágios diários que demonstrem que é o momento seguro de voltar a ter aulas.

Não existem protocolos seguros para educação infantil e fundamental, nossas escolas são feitas para a interação social, não para o distanciamento social. No Brasil, temos desembargador que não usa máscara e presidente que faz aglomeração, mas queremos que crianças de 6 a 12 anos voltem às aulas cumprindo todos os protocolos de segurança.

O Futebol escracha, no país pentacampeão mundial, que tentar voltar ao normal, nesse momento, é aumentar as mortes e a contaminação. Exemplos não faltam no mundo inteiro em que escolas que abriram, tiveram que fechar. Sem vacina, não podemos arriscar a vida de milhões de jovens e milhares de professoras, professores, funcionários e funcionárias.

A frase mais representativa desse momento é “Ano letivo se recupera, vidas, não”. Não podemos banalizar a vida, certamente a volta das escolas significa que, para completar o ano letivo, vamos abrir mão de algumas vidas.

*Pedro Rublescki é professor de Educação Física

 

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