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Na mesma semana do assassinato de George Floyd, em Minnesota nos EUA, um negro foi alvejado e preso injustamente no Brasil, e você nem ficou sabendo.

 Gilberto Andrade de Casta Almeida  , homem negro, Angolano, que reside atualmente em Goiás, aproveitou as férias para conhecer pessoalmente Dorildes  Laurindo , com quem já conversava a algum tempo pela internet.

A cidade de destino? Cachoeirinha, município da região metropolitana de Porto Alegre /RS, palco de uma das maiores injustiças e violências causadas pelo racismo na última semana.

O que era pra ser um final de semana dos sonhos se tornou um pesadelo para ambos. Após se encontrarem e contatarem um carro de aplicativo para retornar de uma viagem, o motorista, que levava os dois passageiros, foi parado numa blitz e perseguido por uma viatura da Brigada Militar, após fugir do local.

A perseguição, que se iniciou em Cachoeirinha, acabou somente em Gravataí, quando o motorista parou e saiu correndo.

Tanto Gilberto como Dorildes, em estado de choque, ficaram parados junto ao veículo como pedido de socorro, e foram alvejados pela polícia, recebendo cada um, ao menos 3 tiros. Após isso, já todo ensanguentado, Gilberto foi algemado, enquanto um dos PMs falava: “você vai sangrar até morrer”. O homem negro tentou explicar que era inocente mas foi em vão.

O verdadeiro criminoso, Luiz Carlos, foi capturado durante a fuga a pé, ocasião em que foi verificado que o mesmo era foragido por tentativa de feminicídio.

Na delegacia, durante o depoimento, o foragido não quis falar, o que fez o delegado plantonista “sugerir”, com base no relato dos policiais, que Gilberto era cúmplice, sendo mantida sua prisão em flagrante por tentativa de homicídio contra os PMs.

Após receber alta do hospital, onde foi mantido sob custódia, Gilberto foi rendido por policiais e mantido preso, injustamente, por mais 5 dia, na Penitenciária de Canoas, totalizando mais de 10 dias com o período que ficou no hospital sob a vigilância das autoridades.

Enquanto isso na investigação, os policiais, ao serem ouvidos novamente, modificaram a versão anterior. Afirmaram que Luiz Carlos havia atirado ao descer do carro. Quanto a Gilberto, não souberam informar se ele realmente empunhava uma arma.

O delegado concluiu o inquérito dizendo haver indícios de que os PMs agiram com imprudência e que os fatos devem ser apurados pela Brigada Militar, já que ocorreram durante serviço.

Após a conclusão do inquérito, O juiz da primeira vara Criminal concedeu, finalmente, a liberdade provisória à Gilberto, o que aconteceu na última sexta-feira (29).

Dorildes segue internada em estado grave com risco de ficar paraplégica.

A Brigada Militar se limitou em emitir uma nota sobre o processo, sem mencionar em nenhum momento a principal vítima de tudo, Gilberto.

Desde a data da ocorrência foi instaurado um inquérito policial militar, pelo comando do 17° BPM, para apurar os fatos envolvendo a ação policial, em que foi recapturado um indivíduo foragido da justiça.

Os policiais militares envolvidos em tal ação estão afastados das atividades de policiamento ostensivo até que o procedimento seja concluído.”

Choca? Muito. É algo incomum? Não.

Uma vez conversando com um colega estávamos discutindo se os casos de racismo estão aumentando. Talvez sim, ou talvez eles só estejam sendo mostrados agora.

Se a cor de pele de Gilberto fosse outra, querem apostar quanto que a história teria um outro final?

As formas de violências sofridas por inocentes por parte de ações irresponsáveis, imprudentes, e parciais da polícia são muitas, mas a cor é sempre a mesma: preta.

Por Juliano Trevisan

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