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Desde o início da pandemia, viemos denunciando no Esquerda Diário a falsa polarizaçao que se instalou. Enquanto Bolsonaro exibia seu negacionismo falando de gripezinha, os governadores se posaram de racionais.

No entanto, nenhum deles tomou qualquer medida de fato que pudesse conter a pandemia, como é evidenciado na alta mortalidade em todos os estados do pais e também pelo fato que 9 meses depois ainda temos que ver um novo aumento nos números.

Também vimos como desde o início da pandemia as empresas farmacêuticas começaram a pesquisar uma vacina, recebendo rios de dinheiro público e de suporte estatal. No entanto, apesar de estarem financiadas com recursos públicos, continuaram com o direito à patente e a vender a vacina ao preço que quiser. Além disso, ao invés de uma cooperação para o desenvolvimento de uma ou mais vacinas, levando em conta os diferentes critérios sanitários, o que na verdade ocorreu foi uma imensa corrida para ver que empresa e que país iria conseguir desenvolver uma vacina primeiro e assim dominar o mercado – no caso da empresa – e qual país iria conseguir se vacinar antes e controlar a produção e distribuição da vacina, mantendo inclusive os estudos exclusivamente sob seu controle, o que prejudica a confiabilidade dos dados.

Dessa forma, a população mundial está refém das grandes indústrias farmacêuticas e dos interesses geopolíticos. A verdade é que nem mesmo a maior pandemia em um século foi capaz de fazer se tocar na sacrossanta propriedade privada!

Agora, vemos de certo modo a polarização repetir de novo. Enquanto o governo federal anunciou um plano de vacinação para começar em março, e exibe seu negacionismo e xenofobia atacando a Coronavac, da chinesa SinoVac, como “vacina chinesa” e faz pressão na Anvisa para vetá-la, Dória anunciou que começará a vacinação em janeiro da Coronavac e já negocia com outros governadores para começar a pressionar a Anvisa para garantir a liberação.

Para coroar o seu espetáculo eleitoreiro, Dória pretende começar a vacinação no dia 25 de janeiro, mesmo dia do aniversário de São Paulo. Já Bolsonaro, após o anúncio de Dória, anunciou que iria comprar 70 milhões de vacinas da americana Pfizer. No entanto, essa vacina exige uma refrigeração a -70º e o país não tem condição de armazenar e transportar essa vacina em muitas doses.

A questão aqui é que nem Dória nem Bolsonaro tem nenhum interesse em salvar vidas ou se baseia na ciência. Enquanto o governador quer usar a vacinação para alavancar sua candidatura em 2022, o presidente quer assegurar sua política negacionista e xenófoba contra a China e atrapalhar os planos do governador paulista.

A verdade é que a vida dos trabalhadores não pode ficar refém das disputas entre negacionistas e tucanos e nem dos interesses das grandes indústrias farmacêuticas.

Enquanto os critérios sanitários para a aprovação de uma vacina estão sendo solapados em nome dos interesses desses políticos, por trás dessa polarização se esconde o fato que nem no plano de Dória nem o de Bolsonaro a vacinação estará disponível a toda a população em curto prazo.

Cabe dizer que o acesso ao Brasil a algumas vacinas que usam técnicas de RNA mensageiro está limitado pelo fato que 9 meses após o início da pandemia o país não tem freezers para garantir o armazenamento da vacina! Isso para não citar que o país corre o risco de não ter seringas!

A verdade é que o debate sobre vacinação deveria partir da prerrogativa do amplo acesso ao conhecimento e resultados das pesquisas em relação a vacina, e todas as formas de tratamento e prevenção, disponibilizando todos os recursos necessários para que o conhecimento científico não seja limitado à uma parcela pequena da população.

Bolsonaro e Doria são dois lados complementares da tragédia capitalista que encabeçaram essas distintas facções da classe dominante, nesse regime golpista. Não podemos cair na armadilha das disputas entre a extrema direita e os golpistas de toda figura.

Devemos batalhar para que nossas vidas não estejam a serviço dessas disputas políticas e dos lucros dos monopólios que brigam pelos bilhões oferecidos pela vacina. Ela precisa ter produção estatal, sob controle e fiscalização das organizações de trabalhadores da saúde e científicas, e distribuição rápida e massiva para todos que queiram, assim como as demais medidas, equipamentos e condições de prevenção e tratamento contra a Covid-19, e que todo sistema de saúde seja centralizado sob controle dos trabalhadores, para que possa atender a população e não os lucros dos grandes empresários.

Fonte: Esquerda Diário/ Por  Gabriel Girão

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