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O Portal A Notícia inicia uma série de entrevistas que irá realizar com os e as presidentes de partido e possíveis pré candidatos (as)  à prefeito nas eleições de 2020 em Tapes. Nesta primeira entrevista, Pedro Mafhuz (PSB), responde por que quer ser prefeito de Tapes, avalia o cenário político local e fala um pouco do projeto dos socialistas para Tapes. Com a Palavra Pedro Mafhuz.

A Notícia : quem é Pedro Mafhuz ?

Pedro Mafhuz : sou tapense nascido no 1º distrito do Passo Fundo onde morei até os 10 anos. Vim para a cidade e depois fui para Porto Alegre estudar. Onde cursei medicina veterinária na UFPEL . Fui morar em outros estados, trabalhei na Ilha de Fernando de Noronha e retornei para Tapes. Morei em Pelotas por 20 anos. Lá lecionei na Universidade Federal onde fiz mestrado e é onde parte de minha família mora. Atualmente tenho uma escola de Inseminação artificial em minha propriedade em Tapes.

A Notícia : sua trajetória política em Tapes foi mais intensa nos anos 90 até sua saída do PDT. Nos explique o que aconteceu?

Pedro Mafhuz: Fui presidente do PDT na época. Assumi a chefia do Posto de Saúde durante o governo Colares. Após no governo de José Wilson da Silva atuei na coordenação da Escola Agrícola Nentalla Kalil. Com o racha que ocorreu no PDT nos início dos anos 2000, acabei me afastando da política partidária. Me desfilei. E fiquei 20 anos afastado.

A Notícia: Retorna agora no PSB e é pré candidato à prefeito. Por que quer governar Tapes ?

Pedro Mafhuz: não dá para se omitir. Assistir de forma passiva. Tapes regrediu nos últimos 20 anos por razões políticas, econômicas e culturais. Tínhamos o Acampamento da Arte Gaúcha, eventos de natação, festa do arroz etc. Havia dezenas de engenhos de arroz e empregos. Sei que muita coisa mudou. De forma acelerada nos últimos anos. A economia se modernizou. A lavoura de arroz não gera mais empregos. Houve as emancipações. Tapes acabou ficando uma estreita faixa de terras entre a BR 116 e a lagoa. Isso reduziu nosso potencial econômico. Nossas terras agricultáveis não tem mais como se expandir. Surgiu nesse meio tempo o êxodo rural, desemprego, miséria, etc. Esta na hora de um novo ciclo na economia de Tapes. Voltei para a política e sou pré candidato para buscar uma alternativa de desenvolvimento que não foi criada pelos últimos governos em Tapes.

A Notícia : o turismo seria uma destas alternativas de desenvolvimento?

Pedro Mafhuz: Tivemos ciclos na economia de Tapes. As charqueadas, fomos um dos maiores produtores e exportadores de colchões de crina de butiás, depois o arroz, ás fábricas de calçados, o campismo, agora é o ciclo do Turismo. Tapes não é uma cidade pobre. Temos água em abundância, terras, a 100 km da capital. Somos uma cidade rica com um povo pobre porque nossas riquezas são mal exploradas. O turismo não pode se resumir apenas ao verão. Ao veraneio. A população precisa se apropriar da ideia do turismo como fonte de renda e empregos. Precisamos ter um calendário anual de eventos. O ano todo. Precisamos dos grupos organizados, motoqueiros, piquetes, religiosos, esportistas, arrozeiros, artistas e etc, ajudando a organizar os eventos. Hoje a atual administração e as outras também faziam assim , só penam nos eventos na véspera. Um mês antes de acontecerem. Precisamos planejar o turismo o ano todo. É necessário um coletivo forte e criativo na secretaria de turismo.

A Notícia: se fala muito em revitalização da orla . Qual tua opinião?

Pedro Mafhuz: Olha em não vou entrar em polêmicas tipo essa do Palcão. É irrelevante. É apenas parte de um todo. Não quero polemizar. Mas creio que é necessário revitalizar a orla. Não com megas projetos que são caros, dependem dos governos estadual e federal principalmente e que hoje estão quebrados. A população vive de costas para a lagoa. E isso tem que mudar. Limpar a orla, desmanchar aquelas ruínas dos velhos engenhos, devolver a praia para as pessoas. Não precisa para isso de grandes projetos. Basta revitalizar colocando bancos, iluminação, canchas de esportes e construindo praças.

A Notícia: quando se fala em revitalizar a orla devíamos falar também do tratamento de esgoto que hoje vai todo para a lagoa. Qual sua opinião?

Pedro Mafhuz: para nós do PSB a obra do tratamento de esgoto é uma prioridade. Não só pelo turismo. Mas principalmente, e em primeiro lugar por ser uma questão de saúde pública. Não adianta falar em revitalização da orla, turismo, se em nossas praias temos uma cloaca à céu aberto e despejamos milhões de litros de esgoto diariamente na lagoa. Devido a nossa geografia estamos no saco da lagoa e os dejetos acabam não se dissipando e ficam como se fossem uma grande fossa. Um problema, volto a falar, de saúde pública. Precisamos uma solução. Não podemos ficar a mercê dos burocratas e cargos políticos de diretores nomeados para a Corsan que não estão dando a mínima para Tapes e ficam enrolando o prefeito e Ministério Público.

A Notícia: como fazer então para tratarmos o esgoto e evitar a poluição da lagoa?

Pedro Mafhuz: não descarto a municipalização do abastecimento de água e tratamento do esgoto. Hoje a Corsan leva de Tapes um lucro anual em torno de R$ 5 ou 6 milhões. Deve ter uns 10 ou 15 funcionários no máximo. E não deve ser difícil derrubar os contratos na justiça já que a Corsan não tem cumprindo os seus compromissos. Temos que fazer uma avaliação técnica, ver como foi municipalizados em outros municípios semelhantes à Tapes, como Ivoti. Conhecer estas experiências e se for positivo e viável vamos sim municipalizar e encerrar o convênio com a Corsan. Com o lucro que ganham aqui em Tapes e que hoje a Corsan investe em outras cidades, podemos calçar ruas e utilizar dinheiro para gerar empregos e melhorar a infra estrutura da cidade. E mais, com a própria renda do pagamento da água pela população podemos custear as obras de saneamento e o funcionamento do tratamento. Este debate tem que ser feito. Com toda a comunidade. Chega de decisões de gabinetes.

A Notícia: e na agricultura o que pensas em realizar em um governo do PSB?

Pedro Mafhuz: em Tapes a agricultura familiar tem um grande potencial de crescimento. Faltam políticas públicas para incentivar os pequenos produtores. Temos hoje muitas famílias oriundas do campo desempregados na periferia de Tapes. Os grandes empresários, os grandes arrozeiros não dependem da prefeitura. E não devemos priorizar os grandes. Basta terem infra-estrutura como estradas e pontes em boas condições. Quem precisa de ajuda do poder público para se desenvolver é a agricultura familiar. Queremos desenvolver um projeto de agroecologia que crie um nicho de mercado que agregue valor a produção. Ter uma produção diferenciada. Buscar fortalecer parcerias com a Emater e principalmente com a UERGS. A escola agrícola hoje desativada pode se tornar um centro de pesquisas tecnológicas de agroecologia. Qualificando a produção das famílias. São 50 hectares ociosos onde podemos desenvolver muitos projetos em parceria com a universidade, Emater e Embrapa.

A Notícia: o PSB é um partido pequeno comparado aos três grandes partidos de Tapes , PDT que é governo, MDB e PP que estão construindo uma aliança de oposição. Como enfrentar estas duas forças e viabilizar tua candidatura ?

Pedro Mafhuz: estamos nos preparando, construindo uma nominata de candidatos à vereadores e discutindo um projeto de cidade. O PSB esteve muito tempo amordaçado. Hoje não tem dono. Oxigenou-se. Queremos ser protagonista. Temos condições de eleger prefeito, vice e dois vereadores.

A Notícia: o PSB vai se coligar com outros partidos para disputar a prefeitura ?

Pedro Mafhuz: queremos ser a terceira alternativa. Podemos ter duas frentes uma de situação outra de oposição. Que na verdade são dois lados de uma mesma moeda. Na Câmara de Vereadores a oposição apoiou o prefeito Silvio Rafaeli. Não houve oposição. Atuaram sempre por interesses econômicos, políticos e de poder. Todos, situação e oposição juntos. Muitos vereadores são funcionários da prefeitura. Nestas eleições em 2020 a população tapense necessita de uma nova alternativa. Estão cansadas dos mesmos. Estamos buscando apoio de importantes políticos locais. 

A Notícia: mas o senhor e dirigentes do PSB participaram de reunião da chamada frente de oposição, MDB, PP, DEM, PTB. Houve até uma foto publicada nas redes sociais comemorando a formação da aliança.

Pedro Mafhuz: fomos convidados para uma reunião. E diplomaticamente participamos. Não nos negamos a conversar. No final pediram para tirarmos uma foto. Para nossa surpresa no outro dia estava publicado nas redes sociais a foto de uma suposta “frente de direita” de oposição ao PDT. Nós não esperávamos essa “pegadinha”. Fizemos uma nota do PSB desmentindo e afirmando que não estaríamos nesta frente. Atropelaram de forma agressiva ao publicar a foto. E nos retiramos das negociações. Não nos interessa estar nesta frente com PP, MDB, DEM e PTB. Porque é a mesmice. Não tem projeto. Não pensam no povo. E sim em um projeto particular e pessoal de poder, e muita vaidade. Um dos nomes cogitado para ser pré candidato á prefeito já convidou umas seis ou sete pessoas para ser secretário de educação, e umas outras 4 ou 5 para ser secretário de obras. Isso é a velha política dos caciques locais. Os nomes citados para serem candidatos à prefeito são velhos políticos. A mesmice. Como disse são o outro lado da mesma moeda. Essa não é nossa maneira de fazer política. O PSB quer ser o novo. A alternativa. Pensar Tapes e não projetos pessoais de poder. Nossa coligação será com o povo de Tapes. Estamos também buscando apoio de importantes políticos locais que não estão afastados da politica. Quero ter junto  comigo o ex prefeito Luiz Garcez e o advogado e ex candidato Alvaro Celeste.

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