Aviso no Topo do Site
Acompanhe as últimas notícias de Tapes e Região.

Já há alguns anos se debate muito em Tapes por que o hospital Nossa Senhora do Carmo não realiza partos e as mulheres grávidas precisam se deslocar até Camaquã para nascerem seus bebes.

Na época das eleições este assunto sempre se torna pauta e as “crianças tapenses voltarem a nascer em Tapes “, se torna proposta de governo de muitos candidatos.

Porém ninguém explica os reais motivos para esta situação. Nem situação e nem a oposição.

As crianças não nascem em Tapes por uma decisão do governo do Estado e também por uma questão econômica.

Desde 2013 o governo do estado através da Secretaria Estadual da Saúde (SES) organiza a Rede de Atenção ao Parto e Nascimento de forma regionalizada.

Entre as diversas ações implantadas, uma delas explica os motivos por não nascerem crianças mais em municípios do tamanho de Tapes.

Uma norma prevê incentivo financeiro somente para os procedimentos em hospitais com ao menos 365 partos anuais ou 200 em locais considerados vazios assistenciais.

E Tapes não atinge estas metas. E a saída seria bancar os custos de ter uma equipe permanente de profissionais como obstetra, enfermeira especializada, anestesista, pediatra atendendo no hospital. E também um banco de sangue para uma emergência surgida como uma hemorragia na hora do parto.

No entanto esta equipe trabalharia por turno. E teria que ser mais de uma equipe. Três médicos pediatra, três enfermeiras especializada, três médicos obstetras e anestesista.

E teria semanas que estes profissionais seriam pagos sem terem partos para realizarem.

Depois que o governo do Rio Grande do Sul decidiu regionalizar a realização de partos em hospitais com menos de 365 procedimentos por ano, através da Resolução Nº 206/17 (Comissão Intergestores Bipartite/RS ), as instituições de cidades pequenas se esforçaram para manter o serviço.

Porém em muitos casos o procedimento se mostrou inviável. Os pequenos hospitais que mantiveram o atendimento, recebem apenas R$ 400,00 por parto. Valor muito abaixo do necessário.

Conforme a diretora do Hospital Nossa Senhora do Carmo, Neila Alves, a maioria dos hospitais de interior de porte pequenos não realizam partos devido ao alto custo para o Estado.

Quando assumi o hospital, há três anos já não realizavam mais parto. Essa foi uma decisão do governo. Então devido a falta de recursos o governo estadual regionalizou o serviço. E Camaquã é nossa referência regional. Claro eventualmente ocorre um parto aqui em Tapes. A pessoa chega na ultima hora de ganhar e acabamos realizando o parto. Mas sempre que possível ela é encaminhada para o hospital regional”.

O prefeito Silvio Rafaeli, que também acumula o cargo de Secretário de Saúde, lembra que os hospitais de pequeno porte, foram desassistidos no governo Sartori.

O Secretário Gabardo na época, foi o autor disso. Hoje, uma equipe de maternidade, é praticamente impossível de ser mantida. Obstetra, pediatra, anestesista, e toda a equipe necessária para manter, não é fácil inclusive em cidades grandes. Guaíba por exemplo, está tentando retomar este serviço e não está fácil.”

Foi justamente nesta época que o hospital de Tapes passou a ser considerado pelo governo estadual como sendo um Pronto Atendimento de Urgência.

Então o nosso hospital passou para PADU(pronto atendimento de urgência) onde os médicos plantonistas, um durante os dias normais, dois durante feriados e fins de semana acabam chegando a um gasto variado de R$ 130 a 150 mil, dependendo do número de remoções.” explica Rafaeli.

O hospital, hoje é um Pronto Atendimento tem um gasto de cerca de R$ 180 mil mensais em média. Com faturamento de cerca de R$ 18 mil com os procedimentos. Variando as vezes, R$ 2 mil a mais ou a menos conforme estes procedimentos.

Neila Alves afirma que somente com o recursos do Estado via SUS não seria possível manter as portas abertas. No entanto a autarquia recebe uma verba mensal da prefeitura que além de custear os médicos plantonistas, paga a folha de pagamento dos funcionários do HNSC e ainda ajuda quando necessário na compra de algum medicamento ou equipamento.

A diretora conclui afirmando que o retorno do serviço de realização de partos em Tapes não depende de vontade política e sim do alto custo e da politica para área de saúde do governo do estado.

Cabe aos municípios prestarem o serviço de pré natal para as gestantes e após o nascimento os postos de saúde fazem o acompanhamento através de agendamento de consultas com o pediatra.

Desta forma as crianças tapenses devem continuar nascendo em Camaquã ou mesmo na capital. Porém com a nova legislação podem ser registradas na cidade.

Campartilhe.

Sobre o Autor

Deixe Um Comentário


Banner publicidade 728 x 90 RODAPÉ
AGORA É HORA DE SER VOCE?