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A Polícia Federal flagrou, na última quinta-feira, 26, o prefeito de Cerro Grande do Sul (RS), Gilmar João Alba (PSL), conhecido como “Gringo Loco”, com R$ 505 mil em Congonhas (SP).  

Ainda no sábado, 28 de agosto, um dia depois que a notícia foi veiculada em primeira mão pelo site Valor Econômico, os Portais A Notícia e o ClicR buscaram contato com o prefeito, mas não obtiveram sucesso. 

O prefeito não respondeu os insistentes pedidos de entrevista. E a única informação foi um áudio que circulou em grupos de WhatsApp da cidade. 

Nele o prefeito Gringo Loco dá instruções ao seu assessor sobre como tratar o assunto com a imprensa.  

O que diz o áudio: 

“Leandro, se algum jornal, televisão, imprensa ligar pra ti agora tu diz que eu tenho marcado na Câmara de vereadores no dia 14 setembro pra me manifestar pro povo de Cerro Grande, pro povo da minha terra. Então dia 14 eu vou me manifestar ao público na Câmara de Vereadores. Falam pra eles. Pra dar satisfação ao povo de Cerro Grande do Sul. Eles que sabem se querem vir ou não. Eu não tô convidando ninguém. Se eles quiseram vão lá”. 

Na 2ª feira 30.09, após apurar com moradores e pessoas ligadas a política de Cerro Grande do Sul publicamos em primeira mão com exclusividade no A Notícia e comentamos na Rádio Cidade de Camaquã, que havia a suspeita que dinheiro era para financiar os atos de apoio ao governo Bolsonaro, programados para o dia 7 de setembro.  

A informação sobre a suspeita surgiu a partir dos comentários do prefeito que antes de viajar havia afirmado a pessoas próximas que iria levar este dinheiro para ajudar na organização dos atos bolsonaristas.  

O Portal A Notícia teve em torno de 15 mil acessos na matéria que ganhou grande repercussão.

Na 4ª feira o caso repercutiu nacionalmente e vários órgãos de imprensa estiveram em Cerro Grande ou entraram em contato com o prefeito Gilmar João Alba. Ele novamente não tendeu a imprensa.  

Encaminhou um secretário da prefeitura que alegou que o prefeito era um homem de posses, mas também não respondeu aos questionamentos sobre a origem e o destino de valores tão expressivos encontrados em caixas de papelão no aeroporto de São Paulo.  

A informação sobre a possível utilização do dinheiro para financiar os atos de Bolsonaro, apuradas pelo portal A Notícia acabou chegando no senado. O senador Humberto Costa trouxe o assunto para ser discutido na CPI da Covid.  

Na ocasião o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD/AM), disse que vai encaminhar ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, uma denúncia sobre a suspeita de financiamento de atos em apoio ao governo federal. 

Pressionado e diante da repercussão que o fato ganhou, na manhã desta sexta-feira 03.09 o Prefeito de Cerro Grande do Sul resolveu falar atendendo aos insistentes pedidos da rádio Gaúcha.  

O que disse Gringo Loco acabou gerando mais indignação nos ouvintes e começou a repercutir em todo o país. O deboche e os argumentos de Gilmar João Alba receberam repúdio dos jornalistas.  

Para as jornalistas Keli Mattos e Rosane de Oliveira, Gringo Loco não conseguiu dar uma explicação convincente sobre a origem e o destino do dinheiro.  

Disse que anda com dinheiro porque se surgir um negócio de ocasião o recurso já estaria na mão.  

Afirmou que a ação da Polícia Federal foi um mal entendido. E justificou o fato de a quantia estar em caixas de papelão argumentando que “o dinheiro é dele e põem onde quer”.  

Negou que o recurso seria para financiar atos de apoio ao Bolsonaro e contra o STF. Porém assumiu ser bolsonarista. 

Em determinado momento da entrevista Gilmar João Alba debochou das jornalistas e dos ouvintes ao afirmar que R$ 505 mil é uma ninharia que não daria nem para comprar um carro bom. E ameaçou os comunicadores afirmando que insistissem muito não iria mais falar.  

O prefeito disse possuir um patrimônio de R$ 9 milhões e ainda R$ 4,3 milhões declarados que utiliza para fazer negócios de ocasião.  

Por fim afirmou que “não deve explicação a ninguém” esquecendo que terá que se explicar para a Polícia Federal que investiga o caso e que poderá também ser inquerido pelo Supremo Tribunal Federal no processo sobre financiamento de atos antidemocráticos.  

Gilmar João Alba, o Gringo Loco é natural de Ipatinga (RS) e mudou-se para Cerro Grande do Sul, onde é proprietário de uma empresa fumageira, fazendas e imóveis. Porém ninguém sabe a origem da fortuna do prefeito.  

Isso também deverá ser investigado tanto pela PF como pelo STF caso se comprove a suspeita que ele estaria levando dinheiro para ser utilizado nos atos antidemocráticos.  

Apesar de o prefeito ter garantido que a origem do dinheiro era legal, a PF decidiu recolher o valor, que acabou totalizando 505 mil reais. Gringo Loco pode responder por crimes como lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro nacional. Transitar com a moeda brasileira dentro do país não é ilegal, mas é necessário saber justificar a origem do montante.  

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