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Na última sexta-feira o prefeito Luiz Garcez durante pronunciamento veiculado em uma emissora local, falou sobre a crise na saúde, e a situação do Pronto Atendimento de Urgência antigo hospital.  

Em uma fala confusa e demonstrando sinais de esquecimento, o prefeito ignorou completamente o que diz a Secretaria Estadual de Saúde e a Coordenadoria Estadual de Saúde sobre a situação do Nossa Senhora do Carmo.

Como Alice no País das Maravilhas, o prefeito parece viver em uma realidade paralela.  

Para justificar as irregularidades apontadas pela vistoria da Vigilância Sanitária colocou a culpa nos governos anteriores, no governo do estado e nos inimigos imaginários que estariam supostamente realizando denúncias anônimas.  

Sobre os postos de saúde afirmou que recebeu como havia deixado a 16 anos atrás. 

Não é verdadeNenhum posto é parecido com que ele deixou. Aliás, vários eram peças adaptadas como o posto centro, que precisou ser modernizado e refeito dentro das normas previstas pela lei.   

Garcez também esqueceu que as pessoas ficavam na chuva pra pegar fichas. Que o posto da Wolff era uma casa comum alugada da ex-sogra de um familiar. Localizado na mesma rua, porém perto da Av. Camaquã. Que o Posto Borges não existia. E o Posto arroio, precisou ser totalmente reformado e ampliado.  

Sobre o Hospital, hoje um Pronto Atendimento de Urgência, o prefeito de forma confusa e manipuladora deixou a entender que os gastos são de mais de R$ 800 mil por mês.  

Não é verdade. Esse é custo total gasto na saúde do município. De todo o sistema. Sendo que para manter os postos e a Estratégia de Saúde da Família a verba é repassada pelo governo federal 

Da prefeitura o único gasto que sai dos cofres municipais é do hospital ou PADU. E o gasto é de apenas R$ 280 mil. 

Ainda sobre o Nossa Senhora do Carmo, ele ora acusa o governo do Estado por não aceitar que ele funcione como hospital, ora culpa os governos anteriores. 

A verdade sobre porque o hospital se tornou uma PADU. Garcez é desmentido pelos fatos  

Durante o governo de Ivo Sartori o secretário de saúde João Gabardo decidiu reestruturar a rede hospitalar do Estado. Até aquele momento o Hospital Nossa Senhora do Carmo era considerado um HPP – Hospital de Pequeno Porte.   

Com as mudanças realizadas pelo governo do estado estes hospitais de pequeno porte foram classificados como Pronto Atendimentos de Urgência. E só podendo adquirir alvará de funcionamento como hospital diante de alto investimentos que o orçamento municipal não permite.   

Nesta mesma reestruturação houve a regionalização dos serviços hospitalares. Assim em nossa região o Hospital Nossa Senhora Aparecida de Camaquã passou a ser considerado hospital geral. E desta forma passou a receber investimentos para atender toda a região 

Na nova formatação, o hospital de Tapes não tem como realizar o serviço de internação. Somente por períodos curtos até a estabilização dos pacientes para que então possam ser transfridos. Ficando com o atendimento inicial e depois dependendo da gravidade e necessidade encaminhado para o hospital regional de Camaquã ou para outro especializado na capital.    

Assim como o atendimento com consultas que dependem de especialistas são encaminhados para Porto Alegre na maioria dos casos.

O que diz a secretária estadual de saúde Aritta Begmann

Em contato com a Secretária Estadual de  Saúde, Aritta Bergman, a titular da pasta afirmou que existem intenção da SES de investir recursos do Estado para que municípios com Pronto Atendimentos possam transforma-los em Hospitais de Pequeno Porte novamente. 

Ela disse que na nova política de incentivo aos hospitais do RS haveria este recurso disponível, mas que seria necessário conhecer as intenções do atual governo municipal.    

A secretária afirmou ainda que não recebeu contato da prefeitura para buscar uma negociação. E que acredita importante que cidades como Tapes tenham uma estrutura hospitalar para atender a população.   

E finalizou afirmando que ainda não conhece o prefeito de Tapes.  

Porque as crianças não nascem mais em Tapes  

Como ainda estivesse no palanque eleitoral Garcez afirma que crianças devem voltar a nascer no hospital assim como cirurgias deverão ser realizadas. Promessa de quem vive uma realidade paralela. 

As crianças não nascem em Tapes por uma decisão do governo do Estado e também por uma questão econômica. Desde 2013 o governo do estado através da Secretaria Estadual da Saúde (SES) organiza a Rede de Atenção ao Parto e Nascimento de forma regionalizada. 

Uma norma prevê incentivo financeiro somente para os procedimentos em hospitais com pelo menos 365 partos anuais ou 200 em locais considerados vazios assistenciais.  

Tapes não atinge estas metas. E a saída seria bancar os custos de ter uma equipe permanente de profissionais como obstetra, enfermeira especializada, anestesista, pediatra atendendo no hospital. E também um banco de sangue para uma emergência surgida como uma hemorragia na hora do parto.  

No entanto esta equipe trabalharia por turno. E teria que ser mais de uma equipe. Três médicos pediatra, três enfermeiras especializada, três médicos obstetras e anestesistas. E teria semanas que estes profissionais seriam pagos sem terem partos para realizarem. 

Garcez é desmentido pela Coordenadora Regional de Saúde  

Durante a entrevista na emissora local o prefeito Garcez voltou a acusar a oposição e aos supostos “inimigos” de seu governo de terem realizados denúncias anônimas que apontaram várias irregularidades no Nossa Senhora do Carmo.  

Em seu mundo paralelo acusa os adversários políticos e todos aqueles que não são do seu grupo político por tudo que acontece de irregular e pelos fracassos que vem se somando nestes primeiros 6 meses de seu governo.  

No dia 06.07 o Portal A Notícia entrevistou a Coordenadora da 1ª CRS, Ane Beatriz Nantal

A coordenadora confirmou que não houve denúncias. Relatou como foram realizadas as vistorias e informou que o município de Tapes se comprometeu em tomar as devidas providências com relação ao que foi apontado.  

Também explicou que a prefeitura optou por manter o Pronto Atendimento de Urgência desistindo da possibilidade de realizar as mudanças necessárias para viabilizar o retorno do status de hospital.  

Sobre as vistorias realizadas pela Vigilância Sanitária no Pronto atendimento de Urgência de Tapes, foram realizadas devido a denúncias ou se deram por outros motivos?  

Coordenadora Ane Nantal: não houve denúncia. Foram outros motivos.  

No caso de serem outros motivos quais seriam? poderia nos explicar?  

Coordenadora Ane Nantal: estávamos habilitando leitos clínicos covid em todas as estruturas possíveis, por isso contatamos Tapes.  

Sobre a interdição do Raio X do PADU (hospital) quais foram os motivos?  

Coordenadora Ane Nantal: a interdição se deu porque necessitava de ajustes, inclusive laudos de vistoria por empresa credenciada, que estavam vencidos.  

A informação que o alvará do PADU venceu em 23 de junho. O pedido da renovação será para PADU ou Hospital de Pequeno Porte?  

Coordenadora Ane Nantal: o alvará vencido em 23/06 consta como hospital, mas que somente pode operar como PADU. Estamos, em conjunto com a administração e município, regularizando definitivamente para o que a estrutura é hoje, PADU.  

Em caso de permanecer com PADU o que deverá ser feito?  

Coordenadora Ane Nantal: deverá ser feitas algumas adequações estruturais, pessoal e de processos, já apontadas pela VISA Estadual.  

Caso a opção de o município ser de Hospital de Pequeno Porte quais os procedimentos devem ser realizados pela prefeitura?  

Coordenadora Ane Nantal: para ser um HPP o município necessita elaborar e apresentar projeto arquitetônico a esta CRS, após aprovação, poderá fazer construções/e ou reformas. Quando ficar pronto e estruturado segue para nova aprovação da VISA Estadual.  

É de praxe encontrar problemas semelhantes nos demais PADU ou Hospitais de nossa região? Qual o procedimento tomado pela sua coordenadoria diante das irregularidades encontradas?  

Coordenadora Ane Nantal: é de praxe encontrar problemas em PADUS ou Hospitais, não só da região, mas em toda a região de nossa coordenadoria. O procedimento é de lavrar autos de infração ou se necessário interdição.  

Qual o prazo que a prefeitura tem para regularizar a situação e poder acessar o alvará de funcionamento como PADU?  

Coordenadora Ane Nantal: a prefeitura, após receber o relatório da inspeção deverá seguir as indicações da VISA Estadual. Alguns apontamentos são de resolução imediata, outros podem seguir cronograma com os prazos a ser apresentado a VISA. Dependendo do que for apresentado, pode-se liberar alvará de forma precária. 

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