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Uma das principais bandeiras do MST é construir um novo modelo de desenvolvimento para o campo, além da luta pela conquista da terra e a realização da Reforma Agrária Popular. A produção agroecológica se insere nesta luta.

No Rio Grande do Sul, as famílias assentadas trabalham com mais de 250 variedades de produtos certificados na região Metropolitana de Porto Alegre.

O manejo exclui o uso de veneno, respeita os ciclos da natureza e zela pela saúde do produtor e consumidor.

Essas variedades estão divididas em diversas cadeias produtivas, como grãos, hortaliças, frutíferas, corantes, condimentares e medicinais, sementes, tubérculos e raízes, oleaginosas, ornamentais, entre outras. Todas possuem o selo de orgânico.

Segundo a coordenadora do setor de certificação da Cooperativa Central dos Assentamentos do RS (Coceargs), Roberta Coimbra, o cultivo dos assentamentos é certificado por meio de auditoria e sistema participativo, por empresas autorizadas pelo Ministério da Agricultura.

A Coceargs trabalha com a certificação participativa, em que os agricultores se organizam em grupos e participam ativamente de reuniões e trocas de experiências para garantirem a qualidade orgânica dos alimentos.

Isso organiza e agrega valor à produção. A nossa intencionalidade é que esse tipo de certificação se espalhe a outros estados”, afirma Roberta.

As sementes de hortaliças, plantas ornamentais, forrageiras e grãos estão entre as experiências consolidadas do MST que se destacam. As famílias se organizam há mais de 20 anos para produção desses cultivos na Rede de Sementes Agroecológicas BioNatur, que é pioneira nesse nicho no Brasil e na América Latina.

Conforme Roberta, a rede é uma das principais ferramentas para a construção da Reforma Agrária Popular neste momento de retrocessos ambientais. “A BioNatur nasceu como uma proposta de resistência ao avanço do agronegócio com os transgênicos e para desenvolver os assentamentos. É um projeto que deu certo, que prima pela vida e a agroecologia”, ressalta.

O MST ainda produz mais de 70 variedades de feijão orgânico, na região Sul do estado, e diversas opções de sucos, através de agroindústrias e cooperativas, nas regiões Metropolitana e Serra Gaúcha.

No ano passado, o suco de uva orgânico da Cooperativa Monte Vêneto foi qualificado como Medalha de Ouro no Concurso Melhores Sucos, da Feira Internacional do Vinho.

Em Tapes

A Cooperativa de Produção Agropecuária dos Assentados de Tapes –COOPAT – teve início em 1998.

O número total de famílias residentes no assentamento é de trinta e um , representando uma população total de 95 pessoas.

Destes 29 assentados e assentadas são associados a Coopat e ainda existem 23 colaboradores de uma cooperativa de prestação de serviços.

A COOPAT é responsável pela maior parte da produção de arroz orgânico no assentamento e, hoje, já conta com uma agroindústria onde é feito todo o processo de beneficiamento.

A produção se realiza de forma ecológica e o arroz é destinado para escolas, mercados locais, prefeitura do município de Tapes, São Leopoldo e São Paulo e para o abastecimento interno do assentamento.

Há ainda uma padaria, na qual são produzidos pães, biscoitos, cucas, combinando as práticas artesanais de preparação de alimentos com o auxílio de máquinas e equipamentos de panificação.

A produção da padaria, também, destina-se aos mercados locais, escolas e comercialização interna no assentamento. Hoje o maior cliente da padaria da cooperativa tapense é a prefeitura de Pelotas que utiliza os produtos na merenda escolar das escolas do município.

Atualmente a padaria conta com oito funcionários no setor de produção e três na distribuição, abastecendo a merenda escolar de cerca de 400 escolas da região metropolitana de Porto Alegre e de Pelotas.

Quem deseja conhecer e experimentar os biscoitos Terra Livre pode adquirir o produto nos principais supermercados de Tapes.

Ameaça à agroecologia

Grande parte dessa produção orgânica está em risco, o que preocupa os Sem Terra. Um dos motivos é a redução de políticas públicas, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

De acordo um dos dirigentes estaduais do MST, Cedenir de Oliveira, o governo federal congelou a Reforma Agrária. Com isso, houve a paralisação da distribuição de terras e o fim de programas que auxiliavam no desenvolvimento social, produtivo e econômico dos assentamentos.

Roberta acrescenta que a possível implementação de 88 projetos de mineração em territórios conquistados pelo MST, a maioria na metade sul do estado, também deixa os assentados apreensivos.

Estamos preocupados com a expulsão das famílias dos territórios, a poluição do ar e das águas. Todas as plantações, orgânicas ou não, ao serem contaminadas por esses minérios pesados passam a ser inviáveis para o consumo”, enfatiza.

Uma das iniciativas do MST para contrapor esses projetos de mineração, a ofensiva do agronegócio e do capital, é plantar 100 milhões de mudas de árvores nativas e frutíferas nos próximos dez anos.

A campanha nacional de reflorestamento surgiu de uma reflexão coletiva sobre a crise ambiental que avança no país, com liberação em massa de agrotóxicos e queimadas na Amazônia.

Com informações Da Página do MST

 

 

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