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                                                                                              *Por Mateus Martins Albuquerque

Ela começou na França, lá em 1959. Seu nome era “cruzamento”, e seu logo duas setas entrecortadas formando a letra “C” (muita gente se surpreende com isso). Claro, tudo isso em francês: Carrefour.

Em 1975 ela chega ao Brasil, sua primeira operação nas Américas e até hoje a maior operação exterior da companhia no mundo. Está presente em todas as 27 unidades da federação, com uma vasta rede de atendimento. Possui 72 mil funcionários no país, todo muito bem tratados, é claro.

Mas pera, o Carrefour foi só abrindo um monte de lojas? Claro que não. Estamos falando de um belo ecossistema, porque, afinal, as leis do mercado são as leis da natureza. O teu mercadinho de bairro é comprado pelo mercadão da região. O mercadão da região é comprado pelo mercadaço do grande empresário do estado. E o mercadaço do estado é comprado pelo Carrefour.

Desde 1975, são diversas aquisições: Planaltão, Roncetti, Mineirão, Rainha, Dallas, Big, Eldorado, Continente e Atacadão. Mas não sejamos injustos, tem outros três que também fazem isso de montão: GPA (Pão de Açúcar, Extra), Wallmart (Bompreço, BIG, Nacional), Cenconsud (Gbarbosa, Perini, Prezunic). Três desses são Top 5 de faturamento em todo o varejo nacional.

Vamos relembrar o que é um super mercado. Apesar de vender pneu e notebook, a coisa mais importante de um mercado são insumos básicos. Feijão, detergente, banana. Você vive sem notebook, mas não vive sem feijão. Não se engane pelo baixo preço: quanto mais básica a coisa, mais preciosa. E tudo isso nas mãos de poucos. Muito poucos. Mas volumosos: invadem o nosso espaço urbano, fazem lobby para alterar os planos diretores, destroem prédios históricos. “Geram empregos”, sob o preço de destruírem pequenos comércios. Esses poucos escolhem o que você come. O que você lava. Que papel higiênico vai no seu bumbum.

Não tem como cuidar de uma operação dessas sem um gigantesco aparato de segurança. Os cavalheiros medievais que protegem as muralhas. Todos esses mercados têm “salinhas de tortura” para pequenos furtos (como lembrou bem o Mateus Lara).

E todos fazem a opção deliberada de terceirizar sua segurança para os que forem mais brutais e impiedosos. Do cachorro ao homem. Homem negro, é claro.

Bom, e crimes financeiros? Tem também. Monsieur Jacques Defforey, acionista majoritário do Carrefour, é processado por lavagem de dinheiro aqui no Brasil. 

Sem falar nas dívidas e extorsões provocadas pelo seu belíssimo “Cartão Carrefour”. Engraçado, todo o varejista virou banco agora. Por que será?

Essa é a história de uma empresa, mas é a de muitas outras. Essa é a história da propriedade privada dos meios de produção. Uma história de sequestro às nossas cidades, compra dos nossos mercadinhos, escolha do que devemos comprar e morte. Bastante morte. Especialmente dos que sempre foram os que mais morreram.

“Lindo”, não?

Mateus Martins Albuquerque

Acadêmico em Doutorado Ciência Política no  Programa de Pós-Graduação em Ciência Política – UFPR

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